Gordura na barriga: descubra agora se você está no grupo de risco

 

Razão Cintura Quadril como Preditor de Doenças Cardiovasculares e Diabetes tipo 2. 

Segundo a ABESO 50% da população brasileira está na faixa de sobrepeso e obesidade. A maior parte da população não entende a real necessidade de se manter dentro da faixa de peso saudável. É muito importante ter alguns mecanismos de fácil acesso para que a população consiga enxergar o risco real das doenças que vem oriundas do excesso de peso.

A Razão Cintura Quadril (RCQ) é o cálculo que se faz a partir das medidas da cintura e do quadril para verificar o risco que um indivíduo possui de sofrer doenças cardiovasculares, pois quanto maior a concentração da gordura em tais regiões, maior o risco de problemas como colesterol alto, diabetes, hipertensão e aterosclerose (WHO, 2018).

Desde a década de 70 a RCQ vem sido utilizada para estudos epidemiológicos como preditor de doenças cardiovasculares.

Como realizar? 
• Circunferência da Cintura (CC): 2 cm acima do umbigo;
• Circunferência do Quadril (CQ): em seu maior perímetro;

A RCQ é feita pela divisão da CC/CQ em centímetros.

Os resultados da RCQ são de acordo com a idade e sexo, mas devem ser de no máximo 0,80 cm para mulheres e 0,95 cm para homens. (WHO, 2018).

De acordo com Tais Rímoli, Nutricionista e Personal Trainer a maior parte da população fica estarrecida com este indicador, pois as pessoas não se veem enquadradas em situação de risco cardiovascular ainda que se explique e demonstre as fórmulas, nunca pensam que é tão perigoso estar acima do peso e jamais imaginam que já estão dentro do grupo de risco.

Recentemente tem se evidenciado estudos sobre o perigo da gordura abdominal por ser um grande fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e alguns tipos de câncer como o de mama, ovário e endométrio. A distribuição da gordura corporal tem um determinante genético, mas fatores como: sexo, idade, comportamental, tabagismo, sedentarismo e menopausa podem estar fortemente associados ao acúmulo de gordura abdominal (Machado, 2011).

Quanto maior a circunferência da cintura maior a chances de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e também de seu controle depois de instalada a doença. Em todo mundo, 422 milhões de pessoas vivem com Diabetes, e mais de 16 milhões de brasileiros adultos sofrem de diabetes e ela mata 72 mil pessoas por ano (BRASIL, 2014).

Estudos populacionais desenvolvidos na China, Irã, Austrália e Estados Unidos, evidenciam as associações entre medidas de obesidade central e o Diabetes, destacando a razão cintura/quadril que apresentou maior exatidão em relação aos demais indicadores na constatação da doença (MORAES, 2006).

Em um estudo no Hospital das Clínicas, na Universidade de São Paulo, realizado com 212 pacientes, onde foram coletados dados de peso, altura, circunferência de cintura e quadril para diagnóstico de dislipidemias e diabetes, foi constatado que as medidas de CC e RCQ se comportam de formas diferentes em ambos os sexos. A medida da CC apresenta uma maior correlação com o aparecimento de diabetes e dislipidemia em homens, enquanto a RCQ apresenta um melhor resultado em mulheres (CALISH, 2002).

Segundo a ABESO 2018, no Brasil, a obesidade vem crescendo e alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, na faixa de sobrepeso e obesidade. A obesidade é uma doença crônica diretamente ligada ao risco de desenvolver DANT, Doenças e Agravos Não Transmissíveis em especial o diabetes mellitus, que tem como resultado piora absoluta na qualidade de vida, pode incapacitar e consequentemente maior chance de óbito (COELI, 2002).

A Circunferência da Cintura (CC), outro indicador, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que a medida igual ou superior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres indica risco de doenças ligadas ao coração.

Um estudo que ajuda a comprovar esta relação é feito em São Paulo, com 2143 pessoas com 60 anos ou mais, de ambos os sexos durante os anos de 2000 e 2006, com coleta de dados feita por meio de entrevistas e para dados antropométricos foram realizadas as medidas de IMC, RCQ,CC. No resultado do estudo, que objetiva ter relação destas medidas com a incidência do diabetes, se tem acurácia de 67%, 96% e 102% respectivamente, podendo então constatar que RCQ e CC não medidas mais eficazes na constatação de risco cardiovascular e eminencia de diabetes (ALMEIDA, 2010).

Outro estudo realizado com idosos de 70 a 79 anos, durante 12 anos na Califórnia constataram que valores de RCQ ≥1 para homens e RCQ ≥0,85 para mulheres apresentam alto risco de mortalidade por todas as causas. (SRIKANTHAN, 2009).

No estudo de Cabrera (2001) et al, feito com mulheres idosas entre 60 e 94 anos, demonstra que RCQ inadequado foi preditor de diabetes mellitus tipo 2 e no aumento de mortalidade total.

Quando podemos ampliar mais a visão da situação, avalia-se melhor a associação da RCQ, com IMC, CC, com glicemia alterada, resistência a insulina, diabetes tipo 2, alteração de pressão arterial, alteração cardiovascular, alterações hormonais e uma série de desordens metabólicas oriundas da obesidade e sobrepeso. Procure se alimentar da melhor forma, procure ajuda profissional e saia do sedentarismo.

De acordo com o Ministério da Saúde, a prática da atividade física regular, de pelos menos 5 vezes na semana com duração de no mínimo 30 minutos promove efeito protetor para a doença cardiovascular.

 

Tais Rímoli
Nutricionista e Personal Trainer

Redação Paraná em Fotos

Portal Paraná em Fotos

Shares