Guterres pede a EUA e Rússia que prolonguem acordo de redução de armas nucleares

Encontro de alto nível na Assembleia Geral marcou o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares; para secretário-geral da ONU, essas armas continuam sendo “uma ameaça potencialmente existencial”.
A Assembleia Geral marcou esta quinta-feira, 26 de setembro, o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares com um encontro de alto nível.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, avisou que “uma corrida qualitativa às armas nucleares está em andamento.”
Perigo
Em mensagem sobre o dia, ele disse que “as relações entre países com armas nucleares estão confusas” e que a retórica perigosa está aumentando.
Além disso, “o regime de controle de armas, que foi construído de forma minuciosa, está se desgastando” e aumentam “as divisões sobre o ritmo e a escala do desarmamento.”
António Guterres receia o retorno “de maus hábitos que podem tornar o mundo inteiro refém da ameaça de aniquilação nuclear.”
Ameaça
O secretário-geral disse que as armas nucleares continuam representando “uma ameaça única e existencial para o nosso planeta” e que “qualquer uso de armas nucleares seria uma catástrofe humanitária.”
Ele lembrou que “muito progresso foi feito na redução dos perigos”, mas disse que esses avanços podem ser interrompidos e revertidos.
Tratados
Em agosto, por decisão dos Estados Unidos e da Rússia, expirou o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, INF, na sigla em inglês. Para Guterres, “o mundo perdeu um freio inestimável na guerra nuclear.”
O chefe da ONU aproveitou a oportunidade para pedir aos dois países que prolonguem o acordo conhecido como New START, de redução e limitação de armas.  Segundo ele, isso daria “estabilidade e tempo para negociar futuras medidas de controle de armas.”
Proliferação
Guterres também quer que os países-membros que cooperem na revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, agendada para 2020.
Para ele, esse tratado “continua sendo a pedra angular do regime de desarmamento e não proliferação nuclear.”
Multilateralismo
Já o presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, “nesse momento de desenvolvimentos tecnológicos extraordinários” a “melhoria de armas para as tornar mais letais, sobretudo as nucleares, não deve acontecer.”
Ele disse que este assunto “ameaça a segurança de todos” e que “nesta nobre missão o multilateralismo é a única forma de avançar.”
No encontro de alto nível, discursaram também representantes dos países-membros e de Organizações Não-Governamentais, ONGs.

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