Microplásticos estão em toda a parte, mas não representam necessariamente risco para saúde

Novo estudo da Organização Mundial da Saúde resume pesquisas recentes sobre impacto dos poluentes plásticos em seres humanos; documento considera improvável que pessoas sejam expostas a níveis tão altos que sejam prejudiciais. 
Pequenas partículas de plástico conhecidas como microplásticos estão “em toda parte, inclusive em água potável”, mas não são necessariamente um risco para a saúde humana.
A conclusão é de um estudo publicado esta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde, OMS, resumindo pesquisas mais recentes sobre o impacto dos poluentes plásticos em seres humanos.
Riscos
Os microplásticos têm menos de cinco milímetros de comprimento. Segundo o estudo, foram encontrados em ambientes marinhos, água doce, alimentos, ar e água potável, tanto engarrafada como de torneira.
As partículas deste gênero mais comuns na água potável são fragmentos de garrafas plásticas.
A diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde da OMS disse que com base nas informações limitadas disponíveis, “os microplásticos na água potável não parecem representar um risco para a saúde nos níveis atuais, mas é preciso descobrir mais.”
Para Maria Neira, é necessário “urgentemente saber mais sobre o impacto na saúde dos microplásticos, porque eles estão em toda parte, inclusive em água potável”.
Absorção
Segundo a agência, é improvável que os microplásticos com mais de 150 micrômetros, ou a milésima parte do milímetro, sejam absorvidos pelo corpo humano. Por outro lado, é provável que a absorção de partículas mais pequenas seja limitada.
O relatório da OMS afirma, no entanto, que os dados disponíveis nesta “área emergente” são extremamente limitados e que a absorção de microplásticos “incluindo na faixa de tamanho nano pode ser maior.”
A especialista do Departamento de Saúde Pública da OMS, Jennifer de France, também informou que a água engarrafada “em geral continha números mais altos de partículas.”
Segundo ela,  foram encontrados “muitas vezes” dois polímeros que são usados ​​com frequência na produção de garrafas e na produção de tampas. Apesar disso, avisou que foram detectados outros polímeros e que, por isso, “são necessários mais estudos para se chegar a uma conclusão firme sobre sua origem.”
O estudo da OMS menciona pesquisas realizadas em ratos e camundongos, que mostraram sintomas como inflamação do fígado, mas afirma que é improvável que as pessoas sejam expostas a níveis tão altos de poluentes.
A exposição à água potável contaminada por resíduos humanos ou animais é uma ameaça melhor entendida. Segundo os especialistas da OMS, o problema afeta 2 bilhões de pessoas todos os anos e causa 1 milhão de mortes.
Sugestões
O relatório diz que os governos podem resolver esse problema usando melhores sistemas de filtragem de águas residuais. Essa opção permitiria reduzir em 90% a poluição por microplásticos.
Por enquanto, o funcionário da OMS Bruce Gordon disse que “os consumidores não se devem preocupar” e que existem “muitas dimensões desta história que estão além da saúde.”
Gordon afirmou que “um cidadão preocupado com a poluição por plástico com acesso a uma fonte de água encanada” deve usar essa opção. Segundo ele, “existem   momentos em que se precisa de uma garrafa de água, mas ela deve ser, por favor, reutilizada.”


ONU

 

Redação Paraná em Fotos

Portal Paraná em Fotos