Produção industrial fraca reduz otimismo dos empresários pelo terceiro mês consecutivo

Conforme Sondagem da CNI, indústria continua ociosa, com utilização da capacidade instalada em 66% desde janeiro. Pesquisa mostra também que a intenção de investimento cai ainda mais

 

Mesmo com a produção industrial praticamente estável em abril, houve estoques em excesso pelo terceiro mês consecutivo. Conforme pesquisa Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira, 22 de maio, o índice de produção registrou 49,6 pontos e índice de estoque em relação ao usual assinalou 51,3 no mês passado. O indicadores variam de zero a cem. Valores abaixo de 50 pontos indicam queda na produção e dos estoques frente ao mês anterior. Quando está acima dos 50 pontos, sinaliza crescimento dos indicadores.

A indústria continua com ociosidade elevada. Desde janeiro, o setor opera, em média, com 66% da capacidade instalada. O índice de utilização de capacidade instalada em relação ao usual para o mês, embora 1,4 ponto acima do registrado em março, ficou em 42,4 pontos em abril, ainda distante da linha dos 50 pontos. A fraca atividade industrial fez com que houvesse redução de postos de trabalho no mês passado. O índice de evolução do número de empregados ficou em 48,8 pontos, também abaixo dos 50 pontos.

De acordo com o economista da CNI Marcelo Azevedo, a combinação de fraca produção industrial com acúmulo de estoques faz com que as empresas priorizem a venda dos produtos estocados antes de planejar o aumento da produção. “Se continuar esse cenário, a tendência é que se reduza a atividade industrial”, completa.

EXPECTATIVAS – Segundo a pesquisa, houve queda de todos os indicadores de expectativas e a mais expressiva foi em relação à demanda, cujo indicador caiu 2 pontos frente a abril, e atingiu 56,8 pontos neste mês. Apesar da retração, os valores continuam acima de 50 pontos, o que sinaliza otimismo. “O otimismo ainda é bem elevado, apesar da fraca atividade. Houve um crescimento significativo desses indicadores e, agora, estamos passando por uma reavaliação das expectativas”, destaca Azevedo.

Para se reverter o quadro no curto prazo, conforme Azevedo, é necessário recuperar a demanda. “Isso pode ocorrer de duas formas: pelo estímulo ao consumo ou por meio de reformas que aumentem a competitividade.” Ouça o depoimento do economista da CNI.

O índice de expectativa para a quantidade exportada caiu de 54,1 pontos, em abril, para 53 pontos em maio. Já o indicador de perspectivas para compras de matéria-prima teve retração de 56,1 pontos para 54,6 pontos e o de número de empregados foi de 51,7 pontos para 51 pontos no período. A intenção de investimentos também caiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu 52,5 pontos em maio.

A pesquisa foi realizada com 1.911 empresas, sendo 781 pequenas, 668 médias e 462 grandes. Os dados foram coletados entre 2 e 13 de maio de 2019.

CNI

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