2 de março de 2024
SAÚDE

Bolsonaro reafirma construção de novas pontes com o Paraguai

 

Declaração foi durante solenidade de posse do novo diretor-geral

brasileiro de Itaipu, Joaquim Silva e Luna. A binacional será a

responsável pela construção das duas ligações.

 

      O  presidente da República, Jair Bolsonaro, confirmou o  compromisso 

do País com a construção de duas pontes entre  Brasil  e  Paraguai. 

A declaração foi durante a solenidade de posse  do  novo diretor-geral brasileiro

de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna, no Edifício de Produção da usina

hidrelétrica, em Foz do Iguaçu (PR).

 

 

A  cerimônia  teve a presença  do presidente paraguaio, Mario Abdo

Benítez, entre outras autoridades dos dois países.

“A  segunda  ponte sobre o Rio Paraná e a sobre o Rio Paraguai são de

fundamental  importância  para os nossos povos. Contem com o apoio de nosso

governo  para  concretizar  este  objetivo”, anunciou Bolsonaro, ao lado do

novo  diretor-geral  brasileiro.  Foi  a  primeira  vez  que o novo governo

brasileiro  endossou  publicamente  as  tratativas iniciadas no ano passado

para a construção das duas pontes.

 

      Bolsonaro e o presidente paraguaio se encontrarão novamente no dia 12

de  março,  em  Brasília.  “Vamos  tratar de temas relevantes, nas questões

políticas,  econômicas,  comerciais  e  de  cooperação”,  afirmou  Benítez.

“Seguramente  vamos  avançar  em  nosso  projeto de integração física com a

construção de duas pontes”, concluiu o presidente paraguaio.

 

      A  assinatura  da declaração presidencial que autorizava a construção

das  duas  pontes  foi feita em dezembro do ano passado, também na usina de

Itaipu,  pelo  então presidente brasileiro, Michel Temer, e pelo presidente

paraguaio,  Mario  Benítez. As pontes serão construídas sobre o Rio Paraná,

ligando  Foz  do  Iguaçu  (PR)  e  Presidente  Franco  (PY),  e sobre o Rio

Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (PY). O financiamento

será  feito  pela  Itaipu Binacional, com autorização da Advocacia-Geral da

União (AGU).

 

      Integração regional

 

      A  cerimônia  de posse do novo diretor-geral brasileiro foi o momento

para  os  dois  países  sócios  da  Itaipu  Binacional,  Brasil e Paraguai,

reafirmarem  também  o  compromisso  da  empresa com a integração regional.

Antes  do  início  da  solenidade, os presidentes brasileiro e paraguaio se

reuniram  em  um encontro bilateral. Além do tema das pontes, eles trataram

de outras questões como o combate conjunto ao crime organizado na fronteira

e a relação comercial.

 

      Em  seu  discurso, Jair Bolsonaro lembrou a história da construção da

usina  hidrelétrica  e  a  importância  da  empresa  para o desenvolvimento

regional.  “Designei  para  comandar  Itaipu  um  contemporâneo da Academia

Militar   das   Agulhas   Negras”,   afirmou  o  presidente  sobre  o  novo

diretor-geral  brasileiro. “Desejo a você os mais sinceros votos de sucesso

nesta  nova missão, para que possamos trazer ainda mais prosperidade para o

povo brasileiro e nosso querido povo paraguaio.”

 

      Mario  Benítez  corroborou  sobre  a  responsabilidade  que o general

Joaquim  Silva e Luna terá ao lado do diretor-geral paraguaio, Jose Alberto

Alderete,  em administrar a binacional. “Tem o grande desafio de conduzir o

maior  empreendimento  de produção de energia elétrica do mundo”, disse. “A

Itaipu Binacional é orgulho de brasileiros e paraguaios e se transformou em

um pilar de desenvolvimento para Brasil e Paraguai.”

 

      Termo de posse

 

      A  assinatura  do  termo  de  posse  foi  feita pelos ministros Bento

Albuquerque (Minas e Energia) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e pelo

diretor-geral brasileiro, general Joaquim Silva e Luna.

 

      O  general  é o 13º diretor-geral brasileiro da empresa. “Embora tudo

esteja  em  permanente  evolução,  sabemos que a missão não é construir uma

nova obra, mas prosseguir aperfeiçoando o trabalho dos que nos antecederam,

de modo a deixar para as novas gerações uma plataforma melhor, que sirva de

base para novos avanços”, afirmou.

 

                                 

Autorização de construção das novas pontes foi feita em

                          dezembro do ano passado

 

      Em  dezembro de 2018, os governos do Brasil e do Paraguai anunciaram,

em  um  encontro  na  Itaipu  Binacional, a construção de duas novas pontes

ligando  os  dois  países,  com  o  objetivo  de  fortalecer  o processo de

integração  regional  e  melhorar  a  infraestrutura  para  o  comércio e o

turismo. Uma das pontes será sobre o Rio Paraná, entre Foz do Iguaçu (PR) e

Presidente  Franco,  cidade vizinha a Ciudad del Este. A outra obra será no

Rio  Paraguai,  entre  Porto  Murtinho (MS) e o município paraguaio Carmelo

Peralta.

 

      A  ponte  que  vai  ligar Foz a Presidente Franco já foi licitada e a

obra  contratada  pelo  Departamento  Nacional de Infraestrutura (Dnit), em

2014.  O  projeto,  no entanto, não teve continuidade e agora será retomado

com  recursos  de  Itaipu.  A  obra  tem custo previsto de R$ 302,5 milhões

(considerando  estrutura  e desapropriações), além de R$ 104 milhões para a

construção de uma perimetral no lado brasileiro.

 

      A  ponte será do tipo estaiada, com duas torres de sustentação de 120

metros de altura. O projeto prevê pista simples, com acostamento e calçada.

A extensão é de 760 metros, com vão livre de 470 metros. A estimativa é que

as obras sejam concluídas em até três anos.

 

      Já  a perimetral terá 15 quilômetros e vai ligar a BR-277 à aduana da

Argentina  e à nova ponte. O valor de R$ 104 milhões contempla os custos do

projeto, desapropriações, construção de quatro viadutos e duas aduanas (uma

na cabeceira da nova ponte e outra na fronteira com a Argentina). A obra já

foi licitada pelo Dnit, mas o resultado ainda não foi homologado.

 

      Com  a  nova  ligação Foz-Presidente Franco, a Ponte Internacional da

Amizade,  hoje  saturada,  será  exclusiva  para veículos leves e ônibus de

turismo.  Essa ponte é hoje o principal corredor econômico entre o Brasil e

o  Paraguai  e ajudou a transformar o município paraguaio na terceira maior

zona franca do mundo.

 

      O acordo entre os dois países define que a margem paraguaia de Itaipu

vai  arcar  com  os custos de construção da ponte no Mato Grosso do Sul e a

margem  brasileira  entrará  com  recursos para a ponte em Foz do Iguaçu. A

expectativa é que a ponte no Rio Paraguai tenha as mesmas características e

os mesmos custos das obras que serão realizadas no Rio Paraná.

 

          

Joaquim Silva e Luna promete mudanças, mas sem perder o foco na geração de

                  energia e o respeito à binacionalidade

 

      Ao  assumir  o cargo de diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional

nesta  manhã de terça-feira (26), em Foz do Iguaçu, o general Joaquim Silva

e  Luna  dirigiu-se a autoridades, funcionários e profissionais de imprensa

destacando a necessidade de mudanças na gestão da empresa, com mais foco na

geração  de  energia,  mas  sem  perder de vista o bom relacionamento entre

brasileiros e paraguaios e a promoção do bem comum em ambos os países.

 

      O  general  iniciou  agradecendo  pela  nomeação  ao  presidente Jair

Bolsonaro  e ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Em seguida,

afirmou  que,  desde o início de sua atuação, pretende se inteirar de todas

as  questões  que  envolvem a binacional “já de olho em 2023” (prazo para a

renegociação do Anexo C, a parte financeira do Tratado de Itaipu).

 

      “Sabemos  que  em  tempos  de  mudanças  descontínuas, não precisamos

cometer erros para fracassar, basta continuarmos fazendo o mesmo. Portanto,

mudanças  são  necessárias”, afirmou o novo diretor. “Pretendemos ajustar a

agenda,  que  já está esboçada, conforme percepções e orientações alinhadas

com  a  Eletrobras,  a  Ande,  os Conselheiros e Atos Oficiais da Itaipu. À

medida  que o tempo for avançando, as mudanças necessárias certamente serão

implementadas e os resultados aparecerão.”

 

      Citando  a  missão institucional da Itaipu (de gerar energia elétrica

de  qualidade,  com  responsabilidade  social  e ambiental, impulsionando o

desenvolvimento  econômico, turístico e tecnológico, sustentável, no Brasil

e  no Paraguai), Silva e Luna sinalizou para a necessidade de focar na área

fim  da empresa. “Substantivamente, cabe à Itaipu gerar energia elétrica. O

restante  é  derivativo  dessa  integral maior. Entendo que esse deva ser o

foco.”

 

      O novo diretor também abordou o impacto de novas tecnologias no setor

elétrico  e  a constante necessidade de evolução. “O setor está em busca de

novas  alternativas  que  permitam,  cada  vez mais, renovação tecnológica,

produção  de  energia  com  segurança,  menor  custo  operacional e menores

tarifas. Estaremos de olho nisso, e na austeridade de todos os gastos”.

 

      Silva  e  Luna  destacou  os  esforços  políticos  e diplomáticos que

viabilizaram   a   construção  da  Itaipu  e  o  bom  relacionamento  entre

brasileiros  e paraguaios ao longo da história da empresa. “Entendemos que,

no  dia  a  dia  das  nossas  relações  binacionais  de trabalho, há que se

reforçar  as  convergências  e, a partir delas, alinhar nossas percepções e

buscar consensos paritários.”

 

      Ele  ainda  ressaltou  o  respeito  ao  Tratado  de  Itaipu, “a nossa

Bíblia”, nas suas palavras. “A partir dele podemos avançar, ajustando-nos à

conjuntura,  dialogando,  explicando, negociando, gerenciando expectativas,

estruturando   argumentos,  buscando  soluções  de  compromisso,  ajustando

trajetórias, velocidades e metas, mas preservando-se o destino final, que é

o igualitário bem comum dos nossos povos.”

 

      O  diretor  elogiou  a  escolha  do  vice-almirante Anatalício Risden

Júnior  para  a  Diretoria  Financeira  Executiva  da  Itaipu  e, também, o

desempenho  do  time da binacional, “que já joga um bolão e está aquecido”.

E, por fim, saudou o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez em guarani,

o que rendeu muitos aplausos da plateia, especialmente dos paraguaios.

 

      Perfil

 

      Nascido  em  29  de  dezembro  de 1949 na cidade de Barreiros (PE), o

general  Joaquim  Silva  e  Luna é filho de Pedro Barbosa de Sá e Luna e de

Irinéia  Silva  Barbosa. O novo diretor-geral brasileiro de Itaipu é casado

com Nadejda Kasakevitch e Luna e tem três filhos.

 

      Silva  e  Luna é general de exército da reserva e serviu seus últimos

cinco  anos  no  Ministério  da  Defesa,  inicialmente  como  secretário de

Pessoal,  Ensino,  Saúde  e  Desporto;  depois,  como  secretário-geral  do

Ministério; e por último, como ministro da Defesa.

 

      Nos  seus  12  anos  como  oficial general da ativa, Silva e Luna foi

Comandante  da  16ª  Brigada  de Infantaria de Selva, em Tefé-AM, de 2002 a

2004;  diretor  de  Patrimônio,  de  2004  a  2006;  chefe  do  Gabinete do

Comandante  do  Exército,  de  2007  a  2011;  e  chefe  do Estado-Maior do

Exército, de 2011 a 2014.

 

      Como  oficial intermediário e superior, comandou várias Companhias de

Engenharia  de  Construção  na  Amazônia;  foi  instrutor  nas  Escolas  de

Aperfeiçoamento  de  Oficias  e  na  Escola  de  Comando  e Estado-Maior do

Exército;  chefiou  a  Seção de Imprensa do Centro de Comunicação Social do

Exército  e  comandou  o  6º  Batalhão  de Engenharia de Construção, em Boa

Vista-RR, de 1996 a 1998.

 

      Antes  de  incorporar-se  às fileiras do Exército, o general cursou o

ensino  secundário,  em regime de internato, na Escola Agro Técnica Federal

de  Barreiros-PE,  de 1962 a 1968. Em 10 de fevereiro de 1969, ingressou na

Academia  Militar  das  Agulhas  Negras,  instituição onde se graduou e foi

declarado  aspirante  a oficial da Arma de Engenharia, em 16 de dezembro de

1972.

 

      No  exterior,  foi membro da Missão Militar Brasileira de Instrução e

Assessor de Engenharia na República do Paraguai, de 1992 a 1994; e Adido de

Defesa,  Naval,  do  Exército  e Aeronáutico no Estado de Israel, de 1999 a

2001. Durante a sua vida militar recebeu dezenas de condecorações nacionais

e estrangeiras, sendo quatro delas da República do Paraguai.

 

      A sua formação acadêmica inclui:

      –  Pós-graduação  em  Política,  Estratégia  e  Alta Administração do

Exército,  em  curso  realizado  na  Escola  de  Comando  e Estado-Maior do

Exército (1998);

      –  Pós-graduação  em  Projetos  e  Análise  de  Sistemas, em curso da

Universidade de Brasília (1995);

      –   Mestrado   em   Operações   Militares,  realizado  na  Escola  de

Aperfeiçoamento de Oficiais (1981);

       –  Doutorado em Ciências Militares, realizado na Escola de Comando e

Estado-Maior do Exército (1987/88);

      –   Cursos   de   especialização   militares:  Curso  de  Oficial  de

Comunicações,  realizado na Escola de Comunicações (1976) e Curso de Guerra

na Selva, realizado no Centro de Instrução de Guerra na Selva (1979);

      –  Possui  ainda,  o  Curso de Combate Básico das Forças de Defesa de

Israel, realizado no Instituto Wingate-Israel (2000).

      A Itaipu

      Com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada, a Itaipu

Binacional  é  líder mundial na geração de energia limpa e renovável, tendo

produzido,  desde  1984,  mais  de  2,6  bilhões  de  MWh. Em 2016, a usina

brasileira  e  paraguaia  retomou  o  recorde  mundial  anual de geração de

energia,  com  a  marca  de  103.098.366  MWh.  Em 2018, a hidrelétrica foi

responsável  pelo  abastecimento  de  15%  de toda a energia consumida pelo

Brasil e de 90% do Paraguai.

 

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Redação Paraná em Fotos

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